CIXOUS, Hélène e Catherine CLÉMENT: The newly born woman. (1975). London: I.B. Tauris Publishers, 1996, p.35
Escreve Clément que, para evitar o contágio de uma forma segura, é necessário encontrar a distância certa: nem muito perto onde se pode ser atingida e petrificada pelo choque, nem muito longe, onde já não nos conseguimos manter vivos.
E Edward T. Hall escreve um livro inteiro sobre distância, onde as classifica em 4 grandes classes: Íntima, Pessoal, Social e Pública, indo do acto sexual aos protocolos de segurança das grandes figuras públicas.
HALL, Edward T.: A Dimensão Oculta (1966). Lisboa: Relógio d’Água Editores, 1986
Mas para ambos a distância é, sem dúvida, medida pelos sentidos, onde o cheiro e a pele desempenham um papel essencial.
"Cheira-me a esturro!" ou "Cheira-me que...." dizemos quando, ainda sem provas cabais, sentimos que algo não está certo.
A pele, que tacteia para dentro e para fora. Tanto dizemos se muito nervosos “Tenho os nervos à flor da pele”, como “É uma questão de pele” se nos falha a razão para justificar uma qualquer aversão.
E Eugénia Vilela: Compreender é o processo que se enraíza no toque com a textura de um acontecimento que fere indivíduos concretos. Compreender é habitar o espaço entre, onde o silêncio se afirma como modalidade significante de sentido”. Mais: “a verdade é uma linguagem de múltiplas vozes a múltiplas vozes, o sentido é vagabundo e o lugar é a proximidade interior da pele. E tocar é o movimento que constitui a ligação intrínseca e íntima entre a ética e a estética”